Fabiana, 27 anos, solteira (porém, namorando) em:
'As incríveis aventuras de uma garota que resolve ir ao cinema sozinha no dia dos namorados'
Trilha sonora:
12 de junho, 17:40 da tarde, namorado ausente, amiga traíra cancela nosso dia 'off in love' alegando cansaço. Eu, como a garota transgressora que sou (mentira, é recalque) me meto a ir para o shopping no embalo da trilha sonora acima, afinal, 'girls just wanna have fun'. Trânsito infernal, não vou conseguir chegar em casa há tempo de assistir qualquer besteira na TV mesmo, então, sigo com o plano 'cinema', mas, sem a conversa fiada entre meninas, já que minha companheira traiu o movimento. Caminho para a fila da compra de ingressos: filme de mulherzinha no dia dos namorados. E daí, né mesmo? Entro na sala, me posiciono de maneira a impedir que algum casal se sente ao meu lado (precaução, néam?). Ligo para o namorado, falo do meu plano, ele ri. Não entende que essa pode ser uma experiência rica em analisar o comportamento da espécie. O cinema fica lotado, o que me faz analisar o primeiro comportamento da espécie.
O efeito coala
Quando o macho se propõe a pedir que as pessoas já devidamente acomodadas, mudem de lugar para que caiba ele e sua fêmea, para que fiquem atracados na poltrona, como coalas nos cio. Absurdo! Vai caçar um lugar lá na frente pra vocês ou então entrem na fila mais cedo. O simpático casal de lésbicas que estava há uma cadeira da minha cedeu lugar, é a magia que toma conta dos casais no dia 12 de junho, que bonito, néam? Eu senti vontade de vomitar.
Na minha frente, três garotas adolescentes comem pipoca e riem estridentemente, o que me leva a fazer a segunda observação:
O efeito: 'sou legal e tô te dando mole'
Sim, é como a comunidade do orkut mesmo. Aquele tipo de garota que não tem namorado, se diz nem aí, mas, no fundo está louca para ganhar uma almofada de coração com bracinhos e ter alguém para chamar de seu, nem que seja só no dia 12. Então, seguem em bando (no caso, de 3) para um local propício a encontrar um 'namorado de aluguel', do tipo: 'fico hoje, termino semana que vem'. Só digo uma coisa: MEDO!
Meu plano começa a naufragar quando descuidadamente tiro a bolsa de um dos lugares para guardar o celular. Um ser solitário, porém, disponível se senta ao meu lado. Legal, néam? Agora tenho um casal cuti-cuti de um lado e um serial killer do outro.

O filme começa, pessoas se beijam, pessoas se amassam, pessoas escorregam a mão para o meu lado. Ôpa! Sai pra lá tio, eu tenho namorado. O serial killer sai no meio da sessão para atender ao telefone. Comássim, cara pálida? Pelo menos ele foi embora, pensei. Mas, não, o carapálida volta e se senta ao meu lado de novo. Contagem regressiva para o filme acabar e sair correndo sem que ele me siga. E o que era para ser uma experiência de estudo das espécies, vai por água à baixo. Sem contar que eu nunca senti tanta falta do meu namorado como ontem no cinema, sério. Se ele estivesse lá as coisas seriam diferentes, tipo, a gente ia rir dos coalas e das adolescentes sem noção, mas, não ia sentar nenhum serial killer do meu lado, certeza.
Saí do cinema com cara de assustada e fui correndo pra casa, mas, cheguei a algumas conclusões, embora meu experimento não tenha tido o êxito que eu gostaria:
1- Odeio casais coalas.
2- Odeio gente que come e fala alto no cinema.
3- Tenho medo de homens sozinhos que vão ao cinema no dia dos namorados e se sentam ao lado de mulheres indefesas.
4- Casais homossexuais vão ao cinema para assistir o filme, diferente da maioria dos casais heterossexuais. Ponto pra eles.
5- Odeio amigas que traem o movimento.